Monumentos

MONUMENTOS propõe aguçar o olhar e sensibilidade dos cidadãos para uma leitura crítica dos mais diferentes vestígios do passado – monumentos, coleções, saberes, rituais, paisagem, cidade, entre outros – que são “referências culturais” para um ou mais grupos sociais. Através de um contato bem humorado e crítico com esses bens culturais, a série busca problematizar a discussão sobre o que deve ser preservado e o que pode ser transformado no patrimônio, refletindo sobre os modos de usar o que é velho para construir o novo.

Monumento é aquilo que faz lembrar. Na realidade em que vivemos há muitas coisas-monumento, que nos lembram de outras coisas e até nos lembram daquilo que gostaríamos de esquecer. Frente às questões e desafios da vida contemporânea, os saberes e as tradições, as construções antigas e as comemorações do passado podem trazer referências e ajudar a pensar sobre o que deve ser preservado e o que pode ser destruído ou esquecido.

MONUMENTOS parte da premissa de que é fundamental desenvolver maneiras renovadas de entender e se relacionar com o patrimônio cultural. Maneiras que comuniquem com o grande público de forma instigante, crítica e bem humorada.

Tornar-se um “patrimônio” não quer mais dizer ser tombado ou protegido por algum órgão governamental ou instituição. Nas últimas décadas, as nossas políticas de memória mudaram. Deixamos de tombar e de proteger apenas os bens culturais selecionados por especialistas da arte e da história, e passamos a compreender que todos os cidadãos têm direito à sua memória. Esse entendimento é assegurado pela nossa Constituição que indica que é preciso preservar o que os diferentes grupos sociais do país consideram que é importante lembrar; aquilo que é uma “referência cultural” para cada um desses grupos.

Essa “referência cultural” pode ser um monumento de fato, construído para ser monumento (um obelisco, uma estátua equestre, uma tumba); pode ser um monumento histórico (uma ruína, uma edificação, um objeto, etc..), tombado ou não, material ou imaterial, pouco importa. Nossa premissa é que ele seja um dispositivo para tornar visíveis as diferentes formas pelas quais o passado se faz presente – os vestígios – e os diferentes olhares e significados que são dirigidos e atribuídos para esses vestígios: os sinais.

MONUMENTOS propõe aguçar o olhar e sensibilidade dos cidadãos para perceberem os vestígios do passado e lerem os sinais no presente. Esse olhar e sensibilidade é que fundamentam a decisão sobre o que deve ser preservado e o que pode ser transformado, e a reflexão sobre os modos de usar o que é velho para construir o novo.