As Batalhas Noturnas

O misterioso assassinato do capataz de uma companhia, conhecida por expulsar camponeses de suas terras, leva um advogado humanista ao Vale do Jequitinhonha para defender o acusado do crime. O tribunal acaba por desnudar uma série de crenças populares e traumas passados que embaralham a estratégia de defesa do advogado e desafiam as suas convicções e ideologias.

O que nos faz sentir parte de uma comunidade? E em que momento nós perdemos o diálogo uns com os outros, e com ele, a possibilidade de intercambiar experiências ? AS BATALHAS NOTURNAS é um filme de tribunal ambientado no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, que desloca o tema da incomunicabilidade da sua dimensão existencial para o campo dos conflitos ontológicos entre mundos e visões de mundo.

O filme convida o espectador a participar dessa reflexão a partir do encontro de David e Ulisses no contexto de um Tribunal do Júri em Turmalina. Ulisses é réu confesso da morte de Antonio, e David, um advogado humanista, militante das causas sociais e ecológicas chamado em São Paulo para defender Ulisses.

O julgamento coloca em evidência o desencontro entre os mundos que coabitam o tribunal: o da cultura popular camponesa – fonte da cosmogonia de Ulisses – , o da cultura humanista ocidental  – fonte da cosmogonia de David, e o do progresso – fonte da cosmogonia da Companhia. Se para a Companhia a apropriação das terras dos camponeses é um direito e consequência lógica do progresso, para Ulisses trata-se de um sinal do Final dos Tempos. E se para David o assassinato de Antonio foi consequência de uma longa história de exploração e expropriação, para Ulisses, trata-se de um evento trágico no qual se confrontam o seu destino de “andarilho do bem” e o livre-arbítrio.